Hoje escrevi-te uma carta. Penso ter sido a derradeira. Nela escrevi tudo o que me feria, traduzi em meras palavras aquilo que me fazes sentir há longos e áridos meses, contudo não derramei mais do que a tinta necessária. Hoje escrevi-te uma carta mas não me lamentei, limitei-me a ser directa por isso, não te preocupes em ler-me nas entrelinhas, não será necessário! Escrevi-te uma carta que, provavelmente nem vai ser lida e, na eventualidade de ser, talvez seja lida tarde de mais porque, ao contrário do que nos dizem, o tempo importa para aqueles que gostamos. Hoje, em breves minutos, num impulso incontrolável, escrevi-te uma carta e, quando terminei senti-me leve, porque, apesar de tudo, dediquei-te mais um bocadinho de tempo da minha vida a querer saber de ti, e mesmo que não te interesse, soube-me bem saber que fiz tudo o que pude.
Hoje escrevi-te uma carta, sim, uma carta, daquelas que já ninguém escreve por ter medo da frontalidade. Pela primeira vez escrevi-te no passado, num passado que acaba de começar, um passado cheio de recordações que, prometo, me aquecerão sempre o coração, mas, será sempre passado. No fundo, sabes tão bem quanto eu que o verbo querer não tem imperativo.
Sim, hoje escrevi-te, escrevi-te a última carta que irás receber minha, selei-a com votos de felicidade sincera porque não te guardo rancor mas sei que, ao enviar, foi a última.
Ah... hoje escrevi-te!